Exemplo acabado
- O Dia
Publicado em 16 de setembro de 2005
A morte do assaltante de residências mais procurado do Rio, em confronto com a polícia, obviamente não foi o desfecho apropriado. Mas a prisão de Pedro Dom, que vinha sendo arquitetada com estratégia e trabalho investigativo, mostrou-se inevitável porque até o último instante o bandido não abandonou sua determinação de matar para fugir. Prova mais evidente que as escutas telefônicas em que fica clara essa intenção foi a granada detonada por ele durante a fuga, ferindo dois policiais. A polícia cumpriu corretamente o seu dever, na medida do possível, e a quadrilha foi desarticulada.
Mais importante que a morte do criminoso é o alerta que o episódio deixa para toda sociedade sobre o quanto o consumo de drogas contribui para a violência urbana. Não só porque fortalece os traficantes, que graças ao lucrativo negócio compram os armamentos pesados com que aterrorizam a cidade, mas também porque cria perigosos bandidos dentro dos lares. A história de Pedro Dom é o exemplo perfeito – e acabado – disso. Filho de policial, começou a se drogar aos 11 anos e passou a roubar objetos da própria família classe media para sustentar o vício. Em sua primeira prisão, tentava furtar o rádio do carro da própria mãe e até a véspera de sua morte, segundo a polícia, gastava todo o produto dos roubos para adquirir entorpecentes.
Que a diminuição do medo de assalto aos lares não deixe jovens e famílias esquecerem que a droga é a mãe da violência.
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